sexta-feira, 24 de junho de 2016

É possível entender racionalmente a loucura?





 A razão é associada ao certo, ao evidente, ao claro e distinto, ao correto. Enquanto que a loucura geralmente é tratada como a falta de razão, o erro, ou aquilo que não pode ser administrado da mesma forma que o pensamento racional.

Para René Descartes (1596-1650), a loucura escapa à razão. Por outro lado, muitos filósofos céticos defendem que a loucura inviabilizaria qualquer noção de verdade absoluta.

Georges Bataille mostra o quanto o ser humano é descontínuo e solitário.
Para o autor, a quebra da razão, através da proibição, aconteceria no momento da transgressão e do erotismo. Criticando, pois, a razão, a passagem abaixo é interessante:

"A vida humana está exausta de servir de cabeça e de razão ao universo, na medida em que se torna essa cabeça e essa razão, na medida em que se torna necessária ao universo, ela aceita uma servidão. Se não é livre, a existência torna-se vazia ou neutra e, se é livre, ela é um jogo" (BATTAILLE, Acéphale I. Paris: Jean-Michel Place, 1995).



É notável o entendimento diferenciado que podemos tomar acerca da razão. A defesa da razão como positiva é contrastada por autores que defendem que a razão escraviza o homem, o tornando, na verdade, um "acéfalo" (sem cérebro!).
 
Diante da suposta oposição entre a razão e a loucura, a filosofia se preocupa em determinar o lugar de cada qual e saber se podem cooperar ou se são excludentes.

Para determinados filósofos a razão pode, desde sempre, estar enlouquecida, e a loucura seria justamente isso que escapando ao claro e distinto  mostraria o quanto somos limitados, imperfeitos e que a racionalidade plena é uma ilusão.

Esta é a posição assumida, por exemplo, pelo falecido professor de filosofia Oswaldo Porchat. De nossa parte ensaiamos discutir a posição racional de Descartes contra a defesa cética da loucura, representada pela filosofia neopirrônica de Porchat.

Os céticos são aqueles que pelo uso da dúvida, colocam em xeque nossas pretensas verdades. O artifício da dúvida seria um filtro essencial para que possamos levar a sério nossos argumentos.
A dúvida opera como uma navalha posta de forma a ceifar todo argumento que apresente falhas ou inconsistências. Neste  sentido, enfrentar a dúvida ou submetê-la sempre foram alternativas dos filósofos dogmáticos para assentarem suas teorias. Esse foi o caso, por exemplo, de Descartes, que ao usar o veneno da dúvida cética com o fim de assentar a mais inquebrantável verdade, acreditou ter superado em definitivo a tradição cética.
De sua parte, os céticos vem denunciando que Descartes e sua racionalidade jamais passaram seriamente pelos argumentos céticos, mais fazendo um ceticismo fingido que imergindo na dúvida.

Tratamos tais temas no livro que publicamos "Ceticismo e Subjetividade em Descartes" e em um artigo em que opomos a perspectiva cética e a de Descartes. 
Para quem acha o tema interessante, abaixo segue o link para conhecer ou comprar nosso livro e também o link com acesso gratuito ao artigo completo que escrevemos sobre o tema:


Acima temos o link para conhecer/ou comprar o livro: "Ceticismo e Subjetividade em Descartes" - Autor: Edgard Vinícius Cacho Zanette/A venda pela editora CRV.
 

Abaixo segue o link do artigo:



http://issuu.com/edgard94/docs/zanette-e-revisitando-o-argumento-d/1

As imagens utilizadas são públicas e gratuitas, disponíveis no site: www.pixabay.com
 
Autor: Edgard Vinícius Cacho Zanette



quarta-feira, 22 de junho de 2016

Convergências e oposições entre o xadrez e a filosofia: o pensamento posto em questão






A arte é para gênios, os quais ultrapassam
regras e paradigmas.

Jogos são para apaixonados, principalmente como instrumentos de prazer e diversão.

Já a ciência é para aqueles que trabalham arduamente e tendem à sistematização do conhecimento.

O xadrez e a filosofia são duas áreas do saber que se relacionam: a filosofia é abrangente e o xadrez manifesta filosofias!
Isto porque a “mãe Filosofia” propõe diversos olhares acerca de um mesmo objeto investigado, de modo que o “compreender” algo sempre remete a um horizonte reflexivo diversificado. Cabe lembrar que na história da Filosofia ocidental diversos filósofos manifestaram paixão pelo xadrez, ou mesmo propuseram pensá-lo filosoficamente.

O que é o caso, por exemplo, de Wittgenstein (1889-1951) e Deleuze (1925-1995), entre outros. Também podemos considerar, em certo sentido, que gênios do jogo e da teoria do xadrez podem ser considerados filósofos, na medida em que ao interpretar o xadrez segundo novos paradigmas, contribuíram em revolucionar a compreensão geral acerca desta fascinante ciência.

Outro ponto de convergência são as duras exigências para progredir tecnicamente. Assim como acontece com a Filosofia, sobretudo nos dias atuais, não basta possuir talento mediano para chegar ao sucesso no xadrez. Para alcançar bons resultados nestas áreas, bem ou mal, é necessário estudar muito! Porém, estudar remete a saber estudar, saber planejar o tempo e o material utilizado, saber selecionar objetivos a serem alcançados a partir de etapas preestabelecidas.

Concentração e rigor no cumprimento de um projeto de trabalho é essencial. Podemos lembrar o que afirma René Descartes (1596-1650) no Discurso do Método: “pois é insuficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem” (DESCARTES, 2010, p. 63).


Considerando este espírito do método como horizonte pedagógico, milhares de livros de xadrez foram escritos sobre estratégias de aprendizagem, sobretudo para que enxadristas de níveis iniciante e intermediário alcançassem a maestria. Alguns livros chegam a anunciar fórmulas mágicas, como se houvesse receitas de bolo para se tornar um Grande Mestre. Por outro lado, na vida real, para aqueles que não conquistaram nenhuma titulação, muitas vezes alcançar a maestria parece ser um enigma ou até mesmo algo místico e irrealizável.

Talvez o momento da vida de um enxadrista em que ele se dedica com todas as suas forças a alcançar considerável progresso técnico e prático seja o mais difícil de todos. Isto por que após alcançar o título de Grande Mestre, o jogador pode cair em uma fase muito ruim, baixar seu Rating e não conseguir mais vencer jogadores fortes. Ainda assim, ele jamais deixará de ter o título de Grande Mestre e ser reconhecido como tal!!

E quanto ao jogador de clube, que sempre está a um passo da maestria mas não consegue subir definitivamente de nível, como culpá-lo por se sentir fracassado?


Caso o xadrez seja pensado segundo uma perspectiva positivista, alcançar a maestria é o centro da questão e um requisito fundamental. Por outro lado, ao desmistificarmos esta interpretação equivocada e valorizarmos as contribuições pedagógicas e as ações afirmativas que o xadrez desencadeia no âmbito da inclusão social, ser um mestre não é o resultado ou o fundamento da prática enxadrística.

O xadrez de alto nível jogado por mestres é um aprofundamento do xadrez jogado como hobby por milhares de pessoas no mundo inteiro. Estes dois mundos não existem, não há um dualismo imanente ao xadrez. Dissociar o xadrez como se houvesse um que seria referente à vida comum e um outro praticado apenas por mestres é criar antagonismos inexistentes e desnecessários.


Diante da “eterna pergunta que fazem todos os jogadores de xadrez: Como posso melhorar meu jogo?” (YERMOLINSKY, 2002), muitos ficam frustrados com o xadrez e param de jogar, seja por não progredir ou mesmo por baixar a força do seu jogo, não conseguindo mais retomar um nível já alcançado. Muito se tem discutido se o jogo de xadrez é uma arte, um jogo ou uma ciência.

Xadrez é a diversidade na unidade, e a paixão que move milhares de aficionados esbarra na dificuldade de compreender o jogo como uma ciência, assim como é difícil ao iniciante entender as façanhas dos gênios que ultrapassam as regras normais de aprendizagem. Daí, provém, naturalmente, ilusões e frustrações.


De nossa parte consideramos fundamental desmistificar o chavão de tratar o xadrez como um esporte automaticamente saudável. O xadrez pode ser saudável ou não. Uma boa analogia é a palavra “droga”, ou o “fármaco” para os gregos. Por mais que a frase a seguir pareça de autoajuda, não deixa de ser verdade que um mesmo objeto pode ser remédio ou veneno, tudo depende do seu uso. Não traz vantagens aos praticantes do jogo considerá-lo intocável, puro e perfeito, de forma que só traria benefícios às mentes e às vidas das pessoas. Ao contrário, cada um é completamente responsável em desenvolver o equilíbrio interior para que o xadrez seja uma atividade saudável. Isto porque xadrez é muito viciante.


É de conhecimento geral que alguns enxadristas chegam a ter problemas psicológicos, e, caso não alcancem a completa insanidade, ao menos vivem de forma bem estranha, considerando os padrões de comportamento socialmente aceitos. O que queremos enfatizar é que o xadrez não está desenraizado de nossa natureza, a qual pode tender ao vício ou a virtude, à doença ou à saúde. Como dizia o Filósofo Epicuro em um texto famoso, intitulado Carta a Meneceu ou Carta sobre a Felicidade, o objetivo da vida feliz é o prazer! No entanto, o prazer deve ser maximizado com base no cálculo da utilidade e do dano, pois muitas dores são preferíveis aos prazeres quando um prazer maior advém por termos suportado a dor por longo tempo.


A inquietação constante é fonte de dor, enquanto que o verdadeiro prazer é alcançado pela tranquilidade do espírito. Assim, nos remetendo a estas breves observações acerca do pensamento de Epicuro, talvez, tão importante quanto jogar bem xadrez seria o refletir sobre a nossa relação pessoal com este jogo. Seja considerando o bem que pode nos trazer, ou mesmo o mal que já pode estar nos fazendo.

Jogar xadrez deve ser uma atividade saudável! No entanto, não há como negar que entre as mais torturantes sensações que um enxadrista poderá vivenciar estão aquelas das derrotas avassaladoras. Sobretudo quando deixamos escapar uma grande oportunidade de conquistar uma boa titulação, ou um pódio em uma competição importante. Em relação a este tema, todo manual de xadrez que tenha um mínimo de qualidade assinala a importância de utilizar a derrota como uma estratégia de aperfeiçoamento. Analisar as próprias partidas, algo tão importante na formação de um bom enxadrista, nada mais é que retornar ao legado Socrático: “Conhece-te a ti mesmo!”


Etimologicamente dizendo, a palavra método significa um “caminho a ser seguido”. Segundo o modo profilático de tratar o xadrez, quanto mais exato e isento de subjetividade o método, mais sucesso o jogador é capaz de alcançar. Seguindo por metáforas, notemos que Sócrates propõe a liberdade do pensar para o conhecimento de si mesmo, ressaltando a individualidade humana. Para o filósofo grego o verdadeiro método não é aquele que arranca o indivíduo de sua natureza, mas sim o que torna os indivíduos capazes de manifestarem a espontaneidade de suas individualidades.


Para Sócrates, por exemplo, a filosofia e os professores jamais poderiam transmitir a verdade, mas no máximo ajudar os indivíduos a descobri-la sozinhos. De um modo geral, o método socrático é conhecido por três elementos que se complementam, a saber: a ironia, a dialética e a maiêutica.

A ironia socrática se valia de perguntas feitas ao interlocutor, no sentido de oportunamente estimular o abandono dos prejuízos e a descoberta (parto) da verdade interior. Partindo de uma curiosa postura de afirmar saber que nada sabia (Só sei que nada sei!), Sócrates desmascarava a ignorância dos falsos sábios. Para Sócrates a dialética é um instrumento da busca pela verdade, pela qual seria possível ultrapassar, a partir da contraposição de teses, as aparências. Por fim, a maiêutica, literalmente, é a arte da parteira, a qual Sócrates se espelhava, limitando-se a perguntar, de forma que o interlocutor e não o professor fosse o detentor da verdade.

A maior dificuldade em ensinar e aprender a jogar xadrez está na condenação imanente a máxima socrática.


Na introdução do famoso livro de Alex Yermolinsky, traduzido ao espanhol como El Camino hace el progresso em ajedrez (CF. YERMOLINSKY, 2002), o grande mestre relata sua passagem pela forte escola soviética e toda a frustração de anos se dedicando ao xadrez sem conseguir progressos significativos. O método criado por Yermolinsky para seu treinamento autodidata foi inspirado em conhecidos conselhos de dois grandes ex-campões mundiais de xadrez: Alekhine e Botvínik. Este método não é outro segredo que estudar as próprias partidas e comentá-las exaustivamente em análises caseiras! (CF. YERMOLINSKY, 2002).


Podemos aprender com os professores e livros de xadrez a teoria clássica, os princípios e as regras gerais que norteiam o jogo segundo uma perspectiva profilática. É possível ser muito bem iniciado no movimento das peças, tática, aberturas, meio-jogo, finais, etc. Porém, sem uma proposta de investigação pessoal, conforme aquela relatada por Yermolinsky, por exemplo, toda ajuda exterior tende a tornar-se estéril.

Ademais, o xadrez atual ultrapassou a “clareza e distinção” dos métodos infalíveis e padronizados para a busca de pretensas verdades absolutas. Nas últimas décadas importantes teóricos do xadrez como, por exemplo, John Num, John Watson, Mihai Suba, entre outros, assinalam o limite para o uso de métodos estáticos como ferramentas pedagógicas.


É este caminho límpido e fácil até a maestria que muitos livros de xadrez propõem conduzir o estudioso atento e rigoroso. Grande ilusão! É o que muito apropriadamente afirma Jonh Watson, parafraseando Suba:



A maioria dos livros sobre teoria moderna consideram que melhorar nosso jogo mediante o estudo da estratégia, implica alcançar um nível superior ao de um jogador que não há tido este estudo. Isso pode ser parcialmente certo, mas o advertiria que o dogma introduzido pode ter um efeito em detrimento de sua criatividade. Trate de ler estes livros com olho crítico, como se não acreditasse uma palavra do que dizem. Memorize variantes de aberturas, técnicas no final, combinações, ideias, inclusive partidas completas, caso possa, mas não regras e dogmas (WATSON, 2002, p. 293).





Não intenciono refutar de modo tão inapropriado a teoria clássica do xadrez. Tampouco os autores citados acima teriam tal pretensão. Mas como praticante do jogo, professor de xadrez e de filosofia, há um bom tempo venho percebendo que estudos densos e sistemáticos muitas vezes possuem menos eficácia que o exercício e absorção pessoal de novas ideias. Seja as que tomemos de empréstimo acompanhando os jogos dos grandes mestres, ou mesmo nas análises caseiras que devemos fazer em nossas anotações. A partir destes estudos já realizados, aí sim podemos complementá-los ao contrapor nossas ideias às sugestões que um bom engine nos indica.


É claro que aqueles que possuem condições financeiras podem sim ter o auxílio de um professor ou de um mestre. Todavia, muitos de nós, como foi o meu caso, aprendem a jogar de forma autodidata. Por ser um jogo que incita o autodidatismo, o xadrez possui uma característica interessante de inclusão social e superação de classes. Há uma frase que diz: todo grande profissional começa com um bom professor! Sim, o professor é uma nobre profissão, talvez a mais importante. No entanto, esta é uma máxima que não pode ser tomada como regra no xadrez. É incomensurável a importância do professor de xadrez, mas acredito que o nosso jogo possui um caráter peculiar de ser, em grande parte, autodidata. Com a internet e os engines, os livros e os métodos de treinamento deixam de ser o centro da investigação enxadrística e dividem sua importância com estas novas ferramentas e tecnologias.


Quando usamos a palavra “vocação” para nos referirmos ao xadrez e a filosofia, intencionamos enfatizar este caráter autodidata destas duas incríveis áreas do conhecimento, nas quais é possível ser o mestre de si mesmo. No xadrez, hoje é fundamental estudar e respeitar a tradição, passar pelos métodos de ensino e progredir. No entanto, podendo compará-la ao espírito socrático, considero apropriadas as considerações de Watson e Suba no sentido de mostrar a importância do olhar crítico em relação aos paradigmas dos métodos enxadrísticos.


O verdadeiro mestre não é aquele vence todos os seus adversários custe o que custar, seja chutando adversários por baixo da mesa, ou usando indevidamente celulares com programas de xadrez nos banheiros, mas é aquele homem comum que está satisfeito e feliz com seu pequeno xadrez do dia a dia.





Referências Bibliográficas



DESCARTES, René. Obras Escolhidas. (Org.). J. Guinsburg, Roberto Romano e Newton Cunha. Tradução: J. Guinsburg, Bento Prado Jr., et al. São Paulo: Perspectiva, 2010. (Textos; 24).

EPICURO. Antologia de Textos. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Coleção Os Pensadores)

_________. Carta a Meneceu. Tradução: Álvaro Lorencini e Enzo del Carratone. São Paulo: UNESP, 1997.

NUNN, John. Secrets of Pratical Chess. London: Gambit, 1998.

PLATÃO. A República. 2. ed. Tradução: Maria Helena da Rocha

Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993.

_____. O Banquete. Tradução: Jorge Paleikat e João Cruz Costa.

São Paulo: Abril Cultural, 1972 (Coleção Os Pensadores).

SUBA, Mihai. Dynamic Chess Strategy. Pergamon, 1991.

WATSON, John. Los Secretos de la Estrategia moderna em ajedrez: Avances desde Ninzowitsch. Tradução: Juan Sebastian Morgado e Roberto Gabriel Alvez. London: Gambit, 2002.

YERMOLINSKY, Alex. El Camino hace el progresso em ajedrez. Tradução: Juan Sebastian Morgado e Roberto Gabriel Alvez. London: Gambit, 2002.



Observação: esta matéria é uma revisão completa de um artigo que publiquei na edição 8 da Revista de Xadrez Meio Jogo – sob a coordenação do amigo Rogério Santos - Árbitro da Fide.
 
Conheçam a Revista:
 
http://revistameiojogo.com.br
 

Esta matéria não deve ser utilizada comercialmente, e tens fins puramente pedagógicos.

A imagem utilizada é pública e está disponível em pixabar.com
 

Análise de Partida - Video Aula de Xadrez - Sacrifício Posicional- Parte IV - V




Parte Final desta série

Análise de Partida de Viktor Korchnoi trabalhando as noções de sacrifício material e sacrifício posicional - Partes IV e V

Parte IV

Link dos vídeos no nosso canal no Youtube:

Parte IV

https://youtu.be/yac-N6Wtlms



ParteV

https://youtu.be/a7Mlwjj4E60

Abaixo segue a partida para reprodução e estudos
Kortschnoj,Viktor (2695) - Petrosian,Tigran V (2615) [D37]

Torneio de Candidatos qf4 Velden (5), 1980

 1.c4 e6 2.Nc3 d5 3.d4 Nf6 4.Nf3 Be7 5.Bf4 0–0 6.e3 b6 7.cxd5 exd5 8.Bd3 Bb7 9.h3 c5 10.0–0 Nbd7 11.Qe2 c4 12.Bc2 a6 13.Rad1 b5 14.a3 Re8 15.Ne5 Nf8 16.Bh2 Qb6 17.f3 a5 18.Kh1 b4 19.Na4 Qb5 20.Ra1 N6d7 21.Nxd7 Nxd7 22.e4 Nf8 23.Bg1 Bc6 24.Rfe1 Rab8 25.axb4 axb4 26.b3 c3 27.Bd3 Qb7 28.Ba6 Qd7 29.Bh2 dxe4 30.fxe4 Qxd4 31.Rad1 Qa7 32.Bxb8 Rxb8 33.Bc4 Be8 34.Rf1 Bg5 35.Rd5 Qe7 36.Nc5 g6 37.Qf2 Bh6 38.e5 Bg7 39.Ne4 Bxe5 40.Re1 Kg7 41.Nd6 Bxd6 42.Rxe7 Bxe7 43.Rd1 Bf6 44.Rf1 Nd7 45.g4 Rc8 46.Bb5
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O vídeo é de nossa autoria e não deve ser comercializado ou utilizado para fins que não sejam pedagógicos.

O Sacrifício Posicional - Video Aula de Xadrez - Análise de Partida de Viktor Korchnoi - Parte II - III




Acompanhem as análises das Video Aulas de Xadrez

Análise de Partida de Viktor Korchnoi trabalhando as noções de sacrifício material e sacrifício posicional
 
 
Link dos vídeos no nosso canal no Youtube:
Parte II

 https://youtu.be/nyxsNHHko_8


Parte III

https://youtu.be/sO_mMGmZajQ

 
Abaixo segue a partida para reprodução e estudos
 
Kortschnoj,Viktor (2695) - Petrosian,Tigran V (2615) [D37]
 

Torneio de Candidatos qf4 Velden (5), 1980

 1.c4 e6 2.Nc3 d5 3.d4 Nf6 4.Nf3 Be7 5.Bf4 0–0 6.e3 b6 7.cxd5 exd5 8.Bd3 Bb7 9.h3 c5 10.0–0 Nbd7 11.Qe2 c4 12.Bc2 a6 13.Rad1 b5 14.a3 Re8 15.Ne5 Nf8 16.Bh2 Qb6 17.f3 a5 18.Kh1 b4 19.Na4 Qb5 20.Ra1 N6d7 21.Nxd7 Nxd7 22.e4 Nf8 23.Bg1 Bc6 24.Rfe1 Rab8 25.axb4 axb4 26.b3 c3 27.Bd3 Qb7 28.Ba6 Qd7 29.Bh2 dxe4 30.fxe4 Qxd4 31.Rad1 Qa7 32.Bxb8 Rxb8 33.Bc4 Be8 34.Rf1 Bg5 35.Rd5 Qe7 36.Nc5 g6 37.Qf2 Bh6 38.e5 Bg7 39.Ne4 Bxe5 40.Re1 Kg7 41.Nd6 Bxd6 42.Rxe7 Bxe7 43.Rd1 Bf6 44.Rf1 Nd7 45.g4 Rc8 46.Bb5
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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sacrificar é preciso! Video Aula de Xadrez - Análise de Partida de Viktor Korchnoi - O sacrifício posicional - Parte I


 
 
No xadrez a análise das partidas de um Mestre é um dos caminhos apontados pelos grandes treinadores e jogadores como elemento central para o progresso na prática enxadrística.
 
 
No xadrez, assim como na vida, o sacrifício é um elemento determinante para um sucesso futuro. Antecipar, criar situações chave predizendo o futuro, essas são algumas das características do sacrifício no xadrez.

Significa que sacrificar trata de uma passagem, é um momento transitório em que precisamos nos abster de determinadas coisas para alcançar outras mais valiosas: no caso da vida, por exemplo, sacrificamos o tempo pelos estudos, deixamos de nos divertir para trabalhar.

No xadrez, sacrificamos material para conquistar mais material, ou para conquistarmos melhor posição, ou para alcançar o xeque-mate rapidamente.
 
 
Acompanhem a primeira parte da Video Aula de Xadrez
 
Análise de Partida de Viktor Korchnoi trabalhando as noções de sacrifício material e sacrifício posicional
 
 
 
Link do vídeo no nosso canal no Youtube:
 
 
Abaixo segue a partida para reprodução e estudos
 






Kortschnoj,Viktor (2695) - Petrosian,Tigran V (2615) [D37]
 

Torneio de Candidatos qf4 Velden (5), 1980

 1.c4 e6 2.Nc3 d5 3.d4 Nf6 4.Nf3 Be7 5.Bf4 0–0 6.e3 b6 7.cxd5 exd5 8.Bd3 Bb7 9.h3 c5 10.0–0 Nbd7 11.Qe2 c4 12.Bc2 a6 13.Rad1 b5 14.a3 Re8 15.Ne5 Nf8 16.Bh2 Qb6 17.f3 a5 18.Kh1 b4 19.Na4 Qb5 20.Ra1 N6d7 21.Nxd7 Nxd7 22.e4 Nf8 23.Bg1 Bc6 24.Rfe1 Rab8 25.axb4 axb4 26.b3 c3 27.Bd3 Qb7 28.Ba6 Qd7 29.Bh2 dxe4 30.fxe4 Qxd4 31.Rad1 Qa7 32.Bxb8 Rxb8 33.Bc4 Be8 34.Rf1 Bg5 35.Rd5 Qe7 36.Nc5 g6 37.Qf2 Bh6 38.e5 Bg7 39.Ne4 Bxe5 40.Re1 Kg7 41.Nd6 Bxd6 42.Rxe7 Bxe7 43.Rd1 Bf6 44.Rf1 Nd7 45.g4 Rc8 46.Bb5
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O vídeo é de nossa autoria e não deve ser comercializado ou utilizado para fins que não sejam pedagógicos.

sábado, 18 de junho de 2016

Filosofia para não filósofos: Eu sou eu mesmo?

 
 Que é a subjetividade humana?
 
O que caracteriza nossa humanidade?

Desde o filósofo moderno René Descartes (1596-1650) nos acostumamos a acreditar que  nossa essência é pensar. Sem pensar, sequer existiríamos!

Eu sou o que sou na medida estrita do pensar que sou alguma coisa.

Penso, logo sou/
Penso, logo existo

O eu (ego), o sujeito do pensar é identificado como um ser pensante e imaterial.

O dualismo cartesiano defende, em linhas gerais, que a alma não precisa do corpo para existir, pois são duas coisas em si mesmas separadas e distintas.

Filosofia controversa e fundamental.

Entre outras polêmicas, para Descartes os animais, por não possuir alma, seriam algo tal qual máquinas, como, por exemplo, um relógio!

Tratando de caracterizar a nossa humanidade, para o filósofo francês, ela teria âmbitos diferenciados:

1) alma - separada do corpo

2) Corpo - separado da alma

3) alma e corpo - unidos, formando o ser humano em sua inteireza.

Mais uma vez podemos perceber o quanto esta filosofia é radical, pois além de tratar animais como máquinas, também separa a existência da mente da existência do corpo!

Mas não sejamos injustos com Descartes sem maior aprofundamento.

Que é, efetivamente, para o filósofo, a subjetividade humana?

Sobre essa questão, vejamos a proposta do filósofo francês e a conseguinte crítica de Martin Heidegger (1889-1976), pensador alemão contemporâneo.

Eis a proposta do artigo que escrevi anos atrás sobre esse tema, o qual é acessível e didático.

Confira no link abaixo:
 


Dúvidas, correções, debates e provocações são bem vindas!! E devem ser postadas no Blog.

Todas as imagens usadas neste artigo, sem citações, são públicas e disponíveis a serem baixadas no site: www.pixabay.com

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O peão é o mundo




Philidor (1726-1795) era um enxadrista tão superior aos demais que geralmente, para a partida ser equilibrada, precisava dar alguma vantagem inicial ao adversário.
 
Talvez, essa superioridade era decorrente de sua compreensão avançada do jogo, da importância do peão para a estruturação do jogo em sua amplitude.
 
Diz que sua é a frase:  Les pions sont l'âme des échecs/ Os peões são a alma do xadrez
 
 
Philidor jogando xadrez às Cegas - Autor desconhecido
www.blindfoldchess.net/introduction/
 
 
Podemos pensar, com Philidor, que no mundo do tabuleiro, quem faz mundo não é o rei, é o peão!
 
O modo de considerar a importância do peão para o jogo de xadrez é o que distingue o xadrez antigo do moderno.
 
Compreender filosoficamente essa importância, interpretando o jogo de xadrez de forma ampla e não preconceituosa deu a Philidor as condições para ser considerado um dos mestres mais importantes para a história do jogo.
 
Enquanto preparamos análises de partidas e vídeos para discutirmos no blog, deixo aqui sugestivamente uma reflexão poética a partir da frase provocadora de Philidor.
 
 
O peão é o mundo

Feliz é o peão

Só anda para a frente

Valente

Não dá passo atrás

Enquanto Cavalos voam

Bispos, Torres e Rainhas lutam

E o Rei sempre em perigo

Destemido

Xeque-Mate não dá

Mas o peão altivo

Sempre avante

sujeito infante

criança ele é

Do tabuleiro e do mundo

De todo o absurdo

O peão é o que é

Simples assim

Peão
 
 
 
Autor: Edgard Vinícius Cacho Zanette
 
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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Xadrez: O jogo da trapaça


 

Vídeo sobre o tema em nosso canal no Youtube: https://youtu.be/KectUV-LBKI
 
Introdução sobre uma visão filosófica

 da ética no xadrez

 

Dizem alguns que o xadrez é o jogo do combate

 Imagem metafórica da guerra:  matar ou morrer, dar o xeque-mate é fundamental!
 

 Quando temos uma visão do xadrez como guerra, podemos sim pensá-lo a partir das regras da guerra, até porque toda guerra tem regras, ainda que não sejam éticas.
 
 

Na guerra, muitas vezes, ocorre uma diferença de forças entre os adversários, quando um dos lados possui mais recursos, mais armas, mais soldados, etc.

Mas mesmo na guerra, a inferioridade não é determinante, pois quem diria que o Vietnã superaria o EUA anos atrás?


No xadrez ocorre que a posição inicial é razoavelmente equilibrada e a pequena vantagem dada pelas brancas pelo seu lance inicial acaba, na prática, influenciando algo, mas não determinando o resultado do jogo.

 Até existem enxadristas que conseguem melhores resultados com peças negras e preferem jogar com elas que com as brancas.

 A “ética” (grego ethikós) trata dos costumes, no sentido de apresentar regras ou princípios que orientem a escolha acertada. Se remetendo às normas das escolhas humanas, saber agir entre o bem e o mal faz da ética uma norma para a convivência social.

 
Se o xadrez é o jogo da guerra, como conciliar a luta pela sobrevivência, a busca incessante e irrestrita pela vitória com a convivência justa e harmoniosa?

 
Sendo repetitivo: jogando xadrez só conheci péssimos perdedores!

 A ética parece secundária, ou um discurso vazio, quando observamos a prática enxadrística tal qual ela é.

 
Os enxadristas, muitos deles, são mal-humorados, mal-educados, mentirosos, pão duros, ferrados, astuciosos e, quando podem, muitas vezes até roubam para vencer a todo custo.

 O caso mais típico é aquele em que um enxadrista toca na peça e se nega a jogá-la. Quando isso acontece, a confusão é tremenda e o árbitro precisa se virar para alcançar alguma justiça!

Na atualidade a principal pauta quanto ao papel ético do xadrez trata da questão do uso ilegal de celulares e computadores em competições oficiais.

 
O Grande Mestre Gaioz Nigalidze, da Geórgia, jogando contra o Grande Mestre - Tigran Petrosian, na sexta rodada do Aberto de Dubai em 2015, assombrou o mundo ao ser constatado que em suas repetidas idas ao banheiro, havia um aparelho Iphone escondido entre uma pilha de papel higiênico!

Após constatada a fraude pelos árbitros, considerando diversas evidências levantadas, o Grande Mestre em questão foi eliminado do torneio e instaurou-se um processo para uma possível suspensão dele por até 15 anos.

Ora, este não é um caso isolado, basta que acessemos o Google para verificarmos pelo menos uma dezena destas situações entre o xadrez profissional de alto nível.

Se o xadrez também é chamado de jogo da inteligência, da criatividade, trapacear, plagiar, ocultar, atacar o adversário, isso não contraria a própria essência do jogo?

Mas temos uma contradição aqui manifesta:

Que é o xadrez? É o jogo da guerra?

Entre tantas possíveis definições, uma perspectiva pouco defendida e divulgada é a do xadrez como instrumento ético.

Não há espaço e sentido para que defendamos o jogo como uma imagem da guerra.

A guerra, em sua acepção, ela é a ausência de diálogo em vista de conflitos de interesses. Quando não há diplomacia, acontece a guerra.

 Já a proposta do xadrez é atuar com adversários e não com inimigos. Em uma guerra não tenho adversários, mas sim inimigos. Preciso matar para não morrer!

As bases filosóficas do xadrez devem pautar-se em seu âmbito de instrumento do aperfeiçoamento pessoal para a cidadania. Enquanto instrumento, o xadrez é uma habilidade social, um meio para o crescimento pessoal, social e intelectual. Dissociar a ética da prática enxadrística é retirar da essência do xadrez seu papel social.


Em um mundo de bilhares de pessoas, poucos são os mestres, mas temos milhares de enxadristas.

A prática esportiva salutar é aquela que promove o aperfeiçoamento humano, e isso é defendido e muito bem exposto pelo COI (Comitê Olímpico Internacional - https://www.olympic.org/), e desde os gregos antigos, quando iniciavam as olimpíadas, as guerras eram pausadas em virtude do caráter majestoso e ético das competições.

O xadrez como instrumento de formação humana remete ao seu papel social e psicológico como primários, em detrimento dos resultados que seriam secundários.

Porém, poderíamos observar: fácil dizer, mas sem resultados, o fracasso faz do praticante um sujeito oculto do mundo esportivo!


A dizer a verdade: ninguém gosta de fracassados éticos, as pessoas amam os vencedores, ainda que sem caráter!

 
Entre o ético e a excelência, entre o ideal e o real, o jogo de xadrez manifesta nossa contradição humana em preferirmos o agradável ao justo, o luxo à simplicidade.

 
Esta dualidade própria ao xadrez não é resolvida facilmente, até porque a noção de sujeito ético parece cada vez mais fora de moda no mundo contemporâneo.

De todo modo, cafona ou não, o que você prefere?

Ser ético?

Ou prefere amassar, humilhar, ridicularizar, atacar psicologicamente seu adversário?

Como na ética a resposta não está dada, no xadrez também não! Cada um faz a sua...



Autor: Edgard Vinícius Cacho Zanette

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